Bebês Reborns: brincadeira ou outra realidade?

Brincar com bonecas sempre foi uma atividade de qualquer criança. E desde as bem pequenas quanto às grandes, todas entravam como um objeto maravilhoso de desejo para ganhar no aniversário, no Natal ou, simplesmente, brincar por aí com as amigas.

Assim surgiu, minha amiguinha, Xuxa , Barbie, Angélica, Bebê engatinhando, Moranguinho – todas realizando o sonho da meninada.

Até que… Até que… chegou a boneca reborn. As primeiras muito feias, até meio assustadoras, mas as meninas, digo, as meninas, exibiam-nas com muito orgulho, pois, além de raras, eram (e são) muito caras.

O salto desse brinquedo de criança para o uso do adulto foi algo impactante. Abre-se a internet e todos se deparam com festas, batizados, ida a médicos, ações na Justiça para licença maternidade pelo nascimento da boneca,  etc, etc. Como se as bonecas fossem gente. São gente?

O impacto foi tamanho que psicólogos, pedagogos, professores, especialistas em saúde mental opinam em tudo aquilo que se vê, faz e ouve com relação ao relacionamento gente vs. reborn.

Entretanto, será mesmo uma questão de desequilíbrio, confusão mental, brincadeira de influencers?

Fui à exposição das obras de Andy Warhol e abaixo de um dos quadros que são cópias quase que fiéis da realidade, argumenta-se que o mundo real é uma projeção do mundo ficcional criado pela mídia e pela cultura de massa.

O bebê reborn poderia ser essa cópia fiel que está aí para ser consumida como uma realidade, já que o real acarreta tantas responsabilidades que para cópia só restariam os afazeres prazerosos. A reborn não tem diarréia, não vomita, não acorda de madrugada, não precisa ser amamentada, simplesmente está ali, conduzindo o consumidor para um mundo ideal sem as “sujeiras” cotidianas do mundo real.

A obra de Warhol funciona como um espelho, refletindo as características da sociedade moderna, uma sociedade que tudo copia. Trabalhos universitários, textos, rotinas de vida, é tudo cópia.

Não menos,  o filme Matrix também nos leva à  discussão sobre realidade, se realmente conhecemos à realidade. Saúde mental ou a nova realidade que, aos poucos, vamos ter que nos habituar? Seria essa a realidade que nossa mente virtualizada está necessitando, construindo?

Será que iremos todos  para Matrix? Talvez, já que ainda não saímos da  caverna de Platão onde as sombras representam as aparências, as coisas que vemos como reais, mas não são,   apenas imitam a verdade.

Uau, depois dessas considerações precisamos entender melhor os caminhos que estamos seguindo…  caminhos a que estamos sendo submetidos ou então, como sugere Manuel Bandeira, precisamos ir todos um tempo para Pasárgada, a fim de refletir, pois lá somos amigos do rei.

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