Por que resolveram chamar os idosos, velhos ou sei lá como a sociedade quer denominar, de fofinhos?
Somos, me incluo, plenamente, uma geração que lutou pela liberdade, se separou, criou os filhos sozinhas, enfrentou mercado de trabalho, família, olhares preconceituosos.
Uma geração que não queimou sutiã em Paris, mas que já queimou as mãos no fogão, no ferro, no micro-ondas e não se intimidou com isso. Juntou a isso também a jornada tripla de trabalho, estudou, formou, fez pós, doutorado, comprou maquiagem, roupas, carros.
Não sobrou para essa geração somente o crochê, a cerâmica, a pintura ou a ida à igreja. Essas atividades são maravilhosas, entretanto, quebramos outras tantas barreiras para sobrarem somente essas atividades para nós: idas ao cinema, a teatros, restaurantes sozinhas, e fomos.
A experiência é criativa, vibrante, desejante. O futuro não é jovem, é vivo.
Somos uma geração que se recusa a envelhecer. Isso necessariamente não pressupõe que gastaremos rios de dinheiro com botox e procedimentos rejuvenescedores. As que querem e as que têm dinheiro suficiente que gastem. Outras preferem os cabelos brancos, as rugas, mas isso não significa ficar em uma cadeira assistindo à novela das seis.
Ficamos com os nossos netos, sim, mas trocando experiência, aprendendo a usar a inteligência artificial, que eles sabem como ninguém. Só não queremos ser infantilizadas: uma gracinha, bonitinha, fofinhas ou então classificadas como incapazes, que ficamos com os netinhos porque estamos sendo sustentadas pelos filhos. Estamos junto a eles, acolhendo, acompanhando o crescimento, enfrentando medos, orientando…
E, além do mais, somos lindas, gordas, magras, feias. Somos ativas. Sejamos interessantes. Temos conversa, temos o que contar. Sem saudosismo nostálgico, sem medo de viver.
Envelhecer não é bobo, não é fácil, mas não é terrível. Não é temer os jovens, é continuar curioso, ativo, interessante.
Somos velhas, idosas, senhoras, somos!!!!!!

